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Como a guerra na Ucrânia ameaça dividir a internet no mundo

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A internet global está sob ameaça à medida que o conflito na Ucrânia continua. Muitas das regras do comércio global foram abaladas após a invasão da Ucrânia pela Rússia. A internet será a próxima?
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Os tempos atuais não têm precedentes para o mundo físico e digital, à medida que se intensifica o conflito na Ucrânia.
Gigantes corporativos como Meta, Google e Apple, que sempre se caracterizaram como empresas neutras na área de tecnologia, estão agora exibindo suas cores políticas, retirando seus produtos da Rússia em resposta à invasão da Ucrânia.
Enquanto isso, a própria internet está mudando para os usuários russos. O Twitter e o Facebook estão bloqueados, o TikTok não permite postagens de usuários da Rússia e há relatos de que a polícia está interpelando as pessoas nas ruas para saber o que elas estão vendo nos seus telefones celulares.
A pergunta agora é se o conflito pode alterar não apenas a geografia do mundo, mas mudar fundamentalmente a natureza da internet global.
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Guerra na Ucrânia: por que Facebook decidiu permitir elogio a Batalhão Azov e defesa de violência contra russos
A Rússia deveria ser excluída da internet?
Provedores de internet da Rússia precisaram testar recentemente uma versão russa da rede
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O governo ucraniano selecionou firmas de tecnologia específicas para pedir que elas banissem seus serviços na Rússia e a lista de firmas de tecnologia que se recusam a fazer negócios ou vender produtos no país vem crescendo a cada dia que passa.
Agora, os líderes do setor de alta tecnologia estão pedindo algo a mais: desligar completamente a Rússia da internet global.
Esses pedidos foram respondidos com um sonoro “não” da Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números (ICANN, na sigla em inglês), que é o órgão encarregado de controlar a internet. Ela recebeu um pedido para cancelar os domínios de topo russos, como .ru, além dos certificados SSL (“Camada de Soquete Seguro”, em tradução livre do inglês) associados ao país.
Mas o lema da ICANN é “Um Mundo, Uma Internet” e, em resposta ao vice-primeiro-ministro da Ucrânia Mykhailo Fedorov, o executivo-chefe da corporação, Göran Marby, afirmou que “dentro da nossa missão, mantemos a neutralidade e agimos em apoio à internet global. A nossa missão não inclui a tomada de ações punitivas, incluindo sanções, nem a restrição de acesso contra segmentos da internet – independentemente das provocações”.
Diversas organizações apoiaram essa decisão, incluindo o grupo de privacidade digital Electronic Frontier Foundation (EFF). Corynne McSherry e Konstantinos Komaitis, da EFF, declararam que a guerra não é uma época para “causar desordem na internet”.
Segundo a EFF, interferir nos protocolos fundamentais de infraestrutura da internet teria “consequências perigosas e duradouras”. Entre essas consequências, destacam-se:
A empresa de infraestrutura da Web Cloudflare, que oferece proteção contra ciberataques, também foi chamada pela Ucrânia para que encerrasse seus serviços na Rússia. Em seu blog, a empresa afirmou ter analisado o pedido, mas concluiu que “a Rússia precisa de mais acesso à internet e não menos”.
O que é a Splinternet e como ela funciona?
A versão chinesa da internet é muito diferente da que vemos no Ocidente
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Para muitas pessoas, os pedidos de corte formaram um caminho perigoso rumo ao que é conhecido como a Splinternet – diferentes países terem diferentes versões da internet.
A Grande Muralha Digital da China, como é chamada, talvez seja o exemplo mais óbvio de como um país pode criar a sua própria Web. Mas, no Irã, o conteúdo da rede também é policiado e as informações externas são limitadas pela companhia estatal de telecomunicações iraniana.
A própria Rússia vem fazendo experiências com uma internet independente – apelidada de Runet – há vários anos, mas ajustada à internet existente, diferentemente da versão chinesa, que foi construída a partir do zero.
Em 2019, o governo russo afirmou ter testado o sistema com sucesso. Poucos entendiam sua necessidade na época, mas, no contexto atual da invasão da Ucrânia, “faz muito mais sentido”, segundo Alan Woodward, cientista da computação da Universidade de Surrey, no Reino Unido.
Naquele teste, solicitou-se aos provedores de internet da Rússia que configurassem a internet dentro das suas fronteiras como se fosse uma intranet gigante – uma rede privada de websites sem comunicação com o mundo exterior. A iniciativa envolveu a restrição dos pontos em que a versão russa da internet conectava-se com a sua correspondente global.
Agora, aparentemente a Rússia está testando de novo esses sistemas. Um memorando do governo russo pediu aos provedores de internet que reforçassem sua segurança e se conectassem aos servidores DNS (sistema de nomes de domínio, em tradução livre do inglês) na Rússia.
Alguns acreditaram que o memorando e a data de realização do teste (11 de março) significavam que a separação da Rússia da internet era iminente. Mas Woodward considera que este seja mais um teste de prontidão.
“Foi algo mais como a Rússia convocando os provedores da internet a ficarem prontos, fazendo cópias locais do DNS (a lista telefônica da internet) e para que tivessem versões locais de software de terceiros provenientes de servidores fora da Rússia, como o Javascript”, afirma ele.
Desde então, a Rússia vem negando que irá cortar-se da internet, afirmando que o teste foi destinado a proteger websites russos de ciberataques do exterior. Mas James Griffiths, autor do livro The Great Firewall of China (“A Grande Muralha Digital da China”, em tradução livre), acredita que o plugue poderá ser desligado a qualquer momento.
“Cortar a internet, assegurando que os russos consumam apenas o conteúdo aprovado pelo Kremlin, esse tipo de coisa, estrategicamente faz sentido, de forma que você pode ver o rumo que estamos tomando”, declarou ele à BBC. “Eu não ficaria surpreso se [esse corte] entrasse em vigor nas próximas semanas ou meses.”
Quais seriam as consequências?
Fragmentar a internet é inevitável?
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Abishur Prakash, autor do livro The World is Vertical: How Technology is Remaking Globalisation (“O mundo é vertical: como a tecnologia está refazendo a globalização”, em tradução livre), acha que o conflito está remodelando a internet, de “um sistema global ao qual todo o mundo está conectado” para algo mais fragmentado.
“Devido à geopolítica, está surgindo um projeto diferente para a internet, no qual os países são cortados ou desenvolvem suas próprias alternativas. As pontes globais, como as plataformas de redes sociais, que possuem populações conectadas há décadas, estão sendo destruídas”, afirma ele.
E, segundo James Griffiths, o novo eixo de poder da internet será dividido entre o Ocidente e a China/Rússia. “Fang Binxing, conhecido como o pai fundador da Grande Muralha Digital da China, visitou a Rússia em 2016 para ajudá-los no que estão fazendo e tornar o firewall russo muito mais similar ao chinês”, afirma ele.
E ele acredita que a Rússia novamente se voltará para Pequim à medida que as empresas da internet retiram seus produtos e serviços. Para ele, “à medida que a economia russa é excluída de grande parte da economia global, eles estão se voltando para a China. Eles precisarão confiar ainda mais na China do que no passado.”
Até o momento, empresas chinesas de tecnologia, como a Huawei, não declararam nada oficial sobre o conflito.
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Por que o preço das criptomoedas estão em queda livre?

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Bem-vindos ao nosso “jornal” diário com o resumo das principais notícias sobre tecnologia. Com o Canaltech News, em pouco mais de 5 minutos você fica por dentro dos principais produtos lançados do mercado, da movimentação das principais empresas do segmento, novidades das redes sociais, curiosidades, cultura geek, e muito mais.
Nesta edição, falamos sobre:

O principal tema de hoje são as criptomoedas. Bitcoin, Ethereum e outras moedas importantes deste mercado estão em queda robusta. O que está acontecendo? Será que isso já aponta o fim das criptos? Para falar comigo sobre o tema, Wagner Wakka convida Tânia Vicente, presidente da Associação Brasileira de Agentes Digitais de Santa Catarina.
No segundo bloco, o governo chinês está fazendo uma movimentação curiosa em relação aos streamers por lá. O país lançou uma nova regulamentação exigindo que determinados influenciadores de áreas como financias pessoais, saúde, edução física e outros só possam divulgar seu trabalho mediante uma comprovação de conhecimento. O que o governo quer combater é o chamado mercado de baixo requisito de entrada com alto rendimento. 
No último bloco, o assunto é uma movimentação aqui no Brasil. A justiça brasileira determinou que o TikTok tem 72 horas para retirar qualquer conteúdo considerado impróprio para menores de idade na rede social. Qual o motivo disso?
Este é o Podcast Canaltech, publicado de terça a sábado, às 7h da manhã no nosso site e nos agregadores de podcast.
Conheça o Porta 101: https://canalte.ch/porta101
Entre nas redes sociais do Canaltech buscando por @canaltech em todas elas.
Entre em contato por: podcast@canaltech.com.br
Este episódio foi roteirizado, apresentado e editado por Wagner Wakka, com a coordenação de Patrícia Gnipper. O programa também contou com reportagens de Vinícius Moschen, Victor Carvalho, Fidel Forato, Lupa Charleaux e Lucas Arraz. A revisão de áudio é de Gabriel Rimi e Mari Capetinga, com a trilha sonora de Guilherme Zomer.
Desenvolvedora de Bloodborne e Dark Souls está trabalhando em múltiplos projetos de acordo com Hidetaka Miyazaki
Com bom humor, astro dos filmes da Marvel publicou uma carta de agradecimento ao celular da Apple descontinuado em 2018
Sem imunizantes, o mundo teria registrado 31,4 milhões de mortes relacionadas à doença em 2021, segundo estudo. As vacinas reduziram as mortes em 63%
Dispositivo ainda virá com câmera principal de 48 MP e frontal de 16 MP, além de Android 12 instalado de fábrica
ASUS confirma chegada de cinco modelos de notebooks Zenbook ao Brasil, além de notebook para profissionais criativos e novo Vivobook 15 OLED

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5 jogos com Inteligência Artificial

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Já jogou algum game com modo campanha (modo em que o jogador acompanha a história) e percebeu que algum inimigo parecia pensar? Acontece que todos os jogos, em maior ou menor escala, fazem uso de alguma forma de Inteligência Artificial (IA).
Mas você deve estar se perguntando: “Lu, por que os jogos utilizam Inteligência Artificial?” Olha só, gente: os jogos eletrônicos tem a necessidade de desafiar o jogador. E o que é mais desafiador do que inimigos inteligentes? Dá uma olhadinha na matéria abaixo e conheça alguns jogos com ótimas IAs.
Quando se fala sobre Inteligência Artificial, PAC-MAN não vem a cabeça, né? Mas olha: cada um dos Fantasmas que tentam te alcançar tem comportamentos específicos, e a cada nova fase, eles se tornam ainda mais espertos. É uma boa forma de aplicar dificuldade com boa IA, né?
Você é fã de RPG? Então vai amar esse daqui! AI Dungeon é um jogo baseado em textos, onde você pode escolher diferentes tipos de história, como Fantasia, Medieval e muito mais. Depois de escolher como vai ser o contexto da história, basta digitar suas ações que a história vai se adaptando. Ah! O jogo, infelizmente, é todo em inglês, mas se você curte o estilo, vai amar conhecer!
O mundo criado pela Rockstar para Red Dead Redemption 2 é encantador. Impressiona pelo nível de detalhes, mas também é incrível a IA do jogo! Cada pessoa tem uma rotina diária, e é possível ver o avanço de muitas dela conforme avança na história. É incrível!
O segundo jogo da série, baseado no clássico universo de Tolkien, é cheio de personagens interessantes. Eles mantêm rotinas próprias, reconhecem o jogador e sabem o momento certo de fugir, se necessário. É bem interessante viajar pelo mundo e ver a IA dos inimigos em ação.
Estar preso a bordo de uma estação espacial, longe de casa, deve ser uma experiência assustadora, mas imagina com um monstro que está te caçando? Mas calma, ainda tem como piorar: a Inteligência Artificial do jogo aprende os seus movimentos e possíveis lugares de esconderijo, forçando o jogador a se adaptar e pensar criativamente em como se esconder. Se você gosta de jogos de terror, esse é perfeito para você!
Esses jogos são alguns dos que melhores, quando o assunto é Inteligência Artificial, e valem a pena conhecer! Em breve eu volto com mais dicas sobre games para você curtir.
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Robô do MIT está aprendendo a brincar de massinha

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Pesquisadores do Laboratório de Ciência da Computação e Inteligência Artificial do MIT (CSAIL) e da Universidade de Stanford, ambos nos Estados Unidos, estão ensinando robôs a brincarem com massinha. O sistema utiliza visão computacional para aprender a modelar objetos macios e pastosos.
Segundo os cientistas, o dispositivo apelidado de “RoboCraft” consegue planejar de forma confiável o comportamento do robô enquanto ele aperta e solta um pedaço de massinha durante o processo de modelagem dos objetos, incluindo figuras não programadas e com as quais ele nunca teve contato.
“Com apenas 10 minutos de dados programados, a garra de dois dedos já conseguia rivalizar com as contrapartes humanas que operavam a máquina com um desempenho no mesmo nível, e às vezes até melhor, dependendo da tarefa que estava sendo executada”, explica o estudante de engenharia Yunzhu Li, autor principal do projeto.
Como a massinha é um material liso e indefinido, toda a estrutura computacional precisa ser programada para garantir uma modelagem eficiente. Usando uma rede neural gráfica como modelo dinâmico, o RoboCraft consegue fazer previsões mais precisas sobre as mudanças de forma do material.
Em vez de usar simuladores complexos de física para modelar e entender a força e a dinâmica aplicadas em cada objeto, o novo sistema utiliza apenas dados visuais, dividindo o trabalho em três partes distintas: percepção, planejamento e execução da tarefa designada.
“Na primeira parte, o robô usa câmeras para coletar dados brutos de sensores visuais do ambiente, que são então transformados em pequenas nuvens de partículas para representar as formas. Em seguida, os algoritmos ajudam a planejar o comportamento do bot para que ele aprenda a fazer uma bola de massa e, depois, modelá-la conforme o que foi programado”, acrescenta Li.
Os pesquisadores acreditam que esse novo sistema de modelagem possa ser aplicado no desenvolvimento de robôs capazes de auxiliar os seres humanos em tarefas domésticas, principalmente idosos, pessoas com deficiências físicas ou mobilidade reduzida.
Para conseguir isso, será preciso criar um sistema de representação muito mais adaptativo do que simplesmente moldar um pedaço de massinha. Além disso, é necessário que o robô possa contar com outras ferramentas, como moldes e utensílios cortantes, para desempenhar tarefas mais complexas.
“O RoboCraft demonstra essencialmente que esse modelo preditivo pode ser aprendido de maneiras muito eficientes em termos de dados para planejar um movimento. Para o futuro, estamos pensando em usar várias ferramentas que permitam que o robô manipule outros tipos de materiais”, encerra Yunzhu Li.
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